Dos direitos radicais das crianças


Dos direitos radicais das crianças

Ligia Moreiras Sena

Toda criança tem direito de explorar livremente o ambiente onde vive.

De interagir com o ambiente natural.

De experimentar novas sensações e afetos.

De admirar o mundo.

De ser estimulada a respeitar todas as formas de vida.

De se sentir parte delas.

De sentir cheiro de flor, de água, de riacho, de comida fresquinha, de casa limpa.

Toda criança merece expandir seus horizontes e seu olhar.

Conhecer outras formas de viver e outros hábitos de vida.

Toda criança precisa ser levada em consideração nas tomadas de decisões familiares.

Toda criança merece ser incluída ativamente nos programas da família, não como uma “bagagem” que se carrega secundariamente, mas como parte que influencia a escolha.

Toda criança merece e tem direito de interagir com outras crianças, principalmente com aquelas que vivem de maneira diferente delas próprias, uma vez que isso constrói o respeito e a equidade.

Toda criança merece receber uma educação livre de preconceitos e discriminações de qualquer tipo.

Merece saber que amor não escolhe sexo, cor, classe social, etnia, nacionalidade.

Toda criança merece passar menos tempo em frente à TV e mais tempo junto à natureza.

Toda criança tem direito de saber de onde vêm seus alimentos e de conhecer aqueles que realmente lhe são bons.

Tem direito de saber se aquilo que está sendo oferecido a ela é realmente saudável, é realmente benéfico, fará realmente bem, ou é apenas reflexo do despreparo de quem oferece.

Toda criança merece ter seus medos compreendidos e acolhidos, nunca ridicularizados, nunca menosprezados, nunca ignorados.

Toda criança precisa sentir-se parte do todo, influenciada por ele e o influenciando.

Precisa ser respeitada como ser integral e a ela ser oferecido o que de melhor houver diante das possibilidades de cada contexto.

Todo choro de criança precisa ser acolhido e compreendido, jamais ignorado, jamais minimizado.

Toda criança precisa ser protegida contra todas as formas de alienação. 

Ao mesmo tempo em que precisa e merece ser protegida contra todo tipo de violência, a fim de que aprenda que um mundo cordial é possível e que violência é retroalimentada.

Toda criança merece ser protegida contra riscos desnecessários ou situações que representem perigo, qualquer que seja ele.

Toda criança merece não ser medicada por qualquer bobagem. Merece ter sua saúde e integridade física respeitada. Merece viver longe de drogas ativamente oferecidas por seus cuidadores sem que exista real e indiscutível necessidade.

Precisa saber que sempre haverá quem a ajude, quem a proteja, quem lute por ela.

Acima de tudo, toda criança merece ser olhada como uma semente já germinada, porém sedenta daquilo que a fará grande, forte e viçosa, e nutrida com o mais puro amor e disponibilidade.

Nenhuma criança é ônus.

Nenhuma criança é empecilho.

Nenhuma criança é dispendiosa.

Se uma criança assim estiver sendo vista, o problema está em quem assim a vê.

Tudo isso parece demasiadamente óbvio. Mas infelizmente não é. Se assim fosse, não nos depararíamos repetidas vezes com situações que simplesmente ignoram o bem-estar da criança, ou o minimizam, ou o preterem em função do mundo adulto e suas pseudonecessidades.

É preciso lembrar repetidas vezes que crianças têm direitos fundamentais que precisam ser respeitados e que vão muito além dos enumerados na Declaração dos Direitos da Criança.

Direitos que passam por mais sensibilidade, por mais acolhimento, por mais afeto, mais entendimento, mais entrega e acesso, mais verdade, mais sinceridade, menos subterfúgios e desculpas as mais variadas.

Crianças não são extensões de seus pais.

Crianças não são propriedades deles.

Crianças não são receptáculos vazios onde inseriremos todo nosso despreparo.

São novos seres.

Que merecem um mundo novo.

Ou uma nova forma de viver neste velho mundo.

Uma forma que valorize o sentido básico da infância, sua essência mais profunda e indivisível, sua raiz primordial.

Uma forma que é, por seu mais profundo significado, radical: que diz respeito a raízes, a princípios, a essências.

Em um mundo de moderações e contemporizações, onde ser complacente com a violência é visto como ser "moderado", onde aceitar uma palmada, um xingamento, é visto como ser "tolerante" com diferentes formas de cuidado parental, em um mundo como esse, o que as crianças precisam é de um olhar mais radical sobre elas.

Um olhar radicalmente contra a violência.

Radicalmente contra a negligência.

Radicalmente contra o abandono.

Um olhar que busque a verdadeira raiz de ser criança.

Se é esse é o seu olhar, saiba que você não está só: a radical que mora em mim saúda a radical que mora em você.

"Radical" não é uma ofensa e "ser radical" não é um desvalor.

Embora, em um mundo de "moderados", as pessoas se esforcem tanto para que pareça ser...

E é sempre bom lembrar: quem não é radicalmente contra a violência à criança é, também, seu cúmplice.

Reproduzido de Cientista que virou mãe
06 mar2014

Sobre a autora

Bióloga, mestre em psicobiologia, doutora em farmacologia, área que deixei após me tornar mãe. Estimulada pela maternidade, mudei de área, de foco e de vida, e hoje faço um novo doutorado, agora em Saúde Coletiva. Sou pesquisadora da assistência ao parto no Brasil, da violência obstétrica e da medicalização da infância e do corpo feminino. Sou mãe da Clara e esse é o mais relevante dos meus títulos, pois foi ele quem me modificou verdadeiramente. Ela me inspira, todos os dias, a olhar a vida e os seres humanos por outro prisma, a lutar pelos direitos das mulheres e a conectar pessoas que buscam criar seus filhos de maneira afetuosa e não violenta.

Texto completo sobre a autora clicando aqui.



Leia também a "Declaração de Amor aos Direitos das Crianças", por Leo Nogueira Paqonawta, clicando aqui.

Três Sábios Macacos nas Escolas pela Sabedoria


三猿 刀

Sanzaru Katana
Três Sábios Macacos Katanas

Desde a mais remota antiguidade existe uma caverna secreta no mais alto monte do atualmente Japão, que abriga o Templo dos Três Sábios Macacos Katanas.

Conta a lenda que os Três Sábios Macacos Katanas chegaram ao arquipélago em um barco que vinha de mares distantes, outros dizem que o barco chegara das estrelas de uma constelação longínqua, quando aquela montanha era um vulcão efervescente. Eles vieram em missão para acalmar o vulcão e ensinarem à humanidade nascente a prática da sagrada arte do uso dos sentidos para combater o mal dentro de nós mesmos.

Mizaru, Kikazaru e Iwazaru Katana orientam todos aqueles que se dispõem a aprender tal prática, que só se desenvolve e se educa quando se vive nas próprias comunidades através do exemplo da dedicação, alegria e amor mais puros ao aperfeiçoamento da bondade, a si mesmo e ao próximo. Os Três Sábios Macacos Katanas orientam na Luz, no Amor e no Poder da Sabedoria que transforma todo mal no bem.

No decorrer de milênios poucos peregrinos conseguiram chegar fisicamente até o local sagrado para, aos pés dos Três Sábios Macacos Katanas, receberem a honra de serem guardiões da Katana, e defenderem a paz e a harmonia entre as pessoas. Pode-se também chegar ao templo todos aqueles que aspiram por ajudarem a evolução da humanidade, através das asas do sono, do sonho e sentimentos e pensamentos mais puros e reais. E isso é o que tem acontecido ultimamente.

Acredita-se que esses guardiões foram muito poucos através da história, e os que existiram tiveram uma vida pacata entre os povos, mas plena de exemplos de e sabedoria para aqueles com os quais conviviam.

Nesses tempos de profunda transformação pessoal, social e mesmo cósmica, com o fechamento e início de um novo ciclo galáctico, profecias vindas de todos os povos falam da chegada de irmãos antigos, para orientar a humanidade a seguir em novos caminhos daquela paz e harmonia entre todos. Os Três Sábios Macacos Katanas estão entre estes que se revelam dispostos ao serviço.

Sabe-se que os Três Sábios Macacos Sábios Katanas recentemente receberam no templo do alto do monte - através do caminho do sonho - prepararam e enviaram novos discípulos aos quatro cantos do mundo, para acompanhar, proteger e seguir adiante na construção de um mundo novo. Esses discípulos estão entre as crianças que fazem tanta macaquice alegremente nos recantos mais diferentes do planeta. Elas estão em todos os lugares e precisamos de enxergá-las, ouvi-las e falarmos com elas e a elas.

Neste tempo de mudanças e de transição, que não se veja, que não se ouça e que não se fale mais do mal que tantas tristezas trouxe ao mundo. Agora, dizem os Três Sábios Macacos Katanas, o tempo é de se viver com coragem para tudo suportar, perseverança para tudo de bom conseguir, e alegria para tudo reconstruir.

A Luz no ver, o Amor no ouvir e o Poder no falar, na Sabedoria que os Três Sábios Macacos Katanas vivem e ensinam, a tudo transformarão...

Leo Nogueira Paqonawta

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Pede-se citar a fonte e entrar em contato com o autor: Sanzaru KatanaTrês Sábios Macacos Katana . Leo Nogueira Paqonawta . ciadapaz@gmail.comhttp://ciadapaz.blogspot.com

Escrito e publicado originalmente para Buba Katana em 2010, os Três Macacos Sábios agora "invadem" as escolas para ins-pirar a meninada a subir em árvores e, dali, saltar para o espaço infinito. No Brasil esses três macaquinhos são conhecidos como Cri (Miru), An (Kiku) e Ça (Iu).


Veja as Crianças com o Paqonawta em peripécias macacânticas clicando aquiali e acolá.



Um dos Três Macacos Sábios na Escola - Miru Cri - espiando, ouvindo e falando no SAPE - Semana de Aproximação Com Participação Na Escola (11/06/2012) . Fotos Cida Demaria e Leo Nogueira Paqonawta.

Os Três Porquinhos fazem um amigo inseparável...

Os Três Porquinhos fazem um amigo inseparável...

Ligia Deslandes

"Era uma vez um lobo solitário que queria muito ter amigos. Nas suas andanças procurando um amigo encontrou um porquinho que vivia numa casa de palha. O porquinho olhou o lobo pela janela e ao ver sua aparência, preto, alto, forte, uma boca enorme e cheia de dentes, ficou desconfiado e não abriu a porta.

O lobo gritava para o porquinho. Eu quero ser seu amigo! Eu quero ser seu amigo! E de tanto gritar e por ser forte e grande, a força de seu grito fez desmoronar a casa de palha do porquinho que já estava discriminando o lobo por sua aparência, mais assustado ainda ficou e fugiu. O lobo foi atrás do porquinho gritando: Eu quero ser seu amigo!  Eu quero ser seu amigo!

O porquinho entrou na casa de madeira de seu irmão e lá ficou. O irmão do porquinho olhou o lobo e julgando-o como seu irmão pela aparência não abriu a porta! O lobo continuou a gritar: Quero ser seu amigo! Quero ser seu amigo! E de tanto gritar e seu grito era forte, derrubou a casa de madeira do irmão do porquinho, que abrigava os dois porquinhos que também não tinha alicerces como a casa de palha. Os dois porquinhos fugiram para a casa de tijolos de seu outro irmão e o lobo foi atrás, sempre gritando: Eu quero ser seu amigo! Eu quero ser seu amigo!

O terceiro irmão também discriminou o lobo pela sua aparência e não deixou ele entrar na casa. E o lobo continuou gritando. Depois de algum tempo, começou uma chuva torrencial. E o lobo lá fora gritando: Eu quero ser seu amigo!

Só então, os porquinhos admirados pela constância do lobo em continuar ali gritando na chuva, resolveram sair para saber o que ele queria. Ouviram então o lobo emocionado dizer: Eu quero ser seu amigo! Juntos podemos mais!

Ainda desconfiados, chegaram perto do lobo, que todo molhado os abraçou e só então, só então mesmo, eles deixaram o lobo entrar na casa. E dali em diante lobo e porquinhos se tornaram amigos inseparáveis cada um fazendo o que sabe para tornar a vida na floresta um pouco melhor."

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Reproduzido de uma estória contada aos netos de Ligia Deslandes por seu filho de 25 anos em "As ideologias que ensinamos às crianças"
22 jul 2012

Para o Allan Deslandes, contador dessa história:

Oi Allan, tudo bem?

Sua história surpreendente dos 3 porquinhos e o lobo vai correndo o mundo e arrancando suspiros de admiração de muita gente. Feliz sacada que você teve e compartilhou com os netos de sua mãe, e que repartimos com outras crianças nas escolas não só apenas como "politicamente correto", mas sobretudo como "espiritualmente esquecido" em nossos diálogos com os filhos e a meninada em nossas vidas.

É certo que as histórias, fábulas e contos infantis cumprem ao longo dos séculos um papel de nos preparar, alertar, ajudar a refletir sobre as estranhices do mundo em que vivemos, e mais sábio ainda quando atingindo certo nível de consciência percebemos e ajudamos às crianças a superarem os traumas das gerações passadas, a se conectarem com valores que as inspirem a dar outros passos em direção a um mundo melhor para todos, a ver tudo e a todos com outros olhos, com cores de com-paixão.

Como cidadãos de direitos e de dignidade, como a-sujeitos que reproduzem a tristeza ou sujeitos ou constroem a própria história, ou como seres que re-cordam, re-brotam, re-partem e re-criam valores espirituais universais pelos campos do mundo, é lindo  saber de tais cenas paternas e "avóternas" resgatando uma sabedoria esquecida e que re-vira-volta o mundo ins-pirando a criançada a re-ler e re-escrever todas as histórias a partir de sua sensibilidade aguçada, antenada, atenta, esperta e cheia de alegria por uma Terra do Bem Viver que vai se realizando nesses contos e en-cantos.

Re-invente outras histórias e com-partilhe conosco mais desse seu amor incondicional, para que mais pessoas se co-movam e re-en-cantem a vida e re-criem belezuras no cotidiano dos lares, escolas, praças, ruas e jardins desse mundo que já vai quase esgotado por tantas tristezas perpetuadas pelos infelizes.

Sua história cheia de sentimentos e pensamentos pela amizade certamente se e-ternuriza no peito e na mente dos que despertam nesses dias para celebrar o contentamento de outras aventuras e bem-aventuranças possíveis nesse Espaço/Tempo de Des-cobertas que seguem com boa-vontade os que realizam seus sonhos de ventura.

Um abraço procês e muito obrigado por essa lindeza.


Leo Nogueira Paqonawta
27 jan 2014

Feliz Dia de Franciscar...



Feliz Dia de Franciscar... quando todo dia é dia de Paz, de Amar, de desarmar, mas de Lutar...

Declaração de Amor aos Direitos das Crianças


E, tendo toda a meninada assentado ao pé da Árvore, Aquela Criança disse, toda sorridente:

A todas as Crianças do Universo de Luz do Criador é feita esta Declaração, sem qualquer exceção, distinção ou discriminação.

01 . Toda Criança tem direito ao Amor, Compreensão, Diálogo e Carinho de seus pais ou responsáveis, à Alegria, Paz, Amizade, Solidariedade e Liberdade para viver a Vida e, ainda tem direito à...

02 . Acordar, na Segunda-feira, depois de um super fim-de-semana com preguiça de ir à aula...

03 . Comer todas as guloseimas que encontrar nas mesas e armários de casa...

04 . Acreditar nos Anjos-de-Guarda, nas fadas-madrinhas, nas lendas, histórias e tradições de seu povo, com doce e pura ingenuidade...

05 . Orar, de maneira singela e meiga, ao Deus Amantíssimo que escolheu para si...

06 . Andar descalça, ou sujando as meias pela casa inteira...

07 . Empinar papagaios, pipas e pandorgas nos dias de ventos bons...

08 . Deliciar-se com o perfume das flores nas praças e nos caminhos...

09 . Encantar-se com o vôo divertido das abelhas e borboletas no jardim...

10 . Jogar futebol no campo improvisado, e brincar de boneca nas casinhas...

11 . Deitar-se no chão, cruzar os braços atrás da cabeça e adivinhar nomes e formas para as nuvens...

12 . Pegar os lápis de cor e rabiscar e desenhar as coisas mais lindas que lhe vierem à cabeça...

13 .Passear de barco no lago do parque, recostar a cabeça na murada e deslizar suavemente a mão pela água em devaneio com os peixes...

14 . Lambuzar-se toda com todos os tipos e sabores de sorvetes...

15 . Assistir a quantos desenhos animados e aventuras que quiser na TV e, tirar uma soneca...

16 . Pular corda e brincar de roda na rua, com os amigos e amigas...

17 . Correr na enxurrada da chuva, jogando água para todos os lados e cantar para o arco-íris...

18 . Perguntar o por quê das coisas e querer entender o significado da vida...

19 . Jogar bolinhas de gude na terra batida...

20 . Fazer xixi na cama e dizer para a mãe que estava sonhando...

21 . Revirar todas as prateleiras da biblioteca até encontrar um livro, uma estória ou um gibi que a encante...

22 . Brincar na banheira com patinhos de borracha, de pirata e 20.000 léguas submarinas com os sabonetes e buchas...

23 . Conversar, sobre fantasmas e mistérios do Universo, ao redor das fogueiras nos acampamentos com sua turma...

24 . Ter um animalzinho de estimação para ser seu amigo...

25 . Montar castelos de areia na praia e imaginar um grande maremoto na próxima onda...

26 . Abraçar um ursinho de pelúcia, uma bonequinha de pano desengonçada ou seu brinquedo favorito na hora de dormir...

27 . Pisar na grama e subir nas árvores, apesar das placas enferrujadas dizerem que não é permitido fazer isso...

28 . Receber sua mesada e gastá-la todinha com pipocas e algodão doce nas matinês...

29 . Chorar de susto na hora de tomar a vacina contra as doenças...

30 . Encostar o nariz na vidraça e olhar a chuva, fazendo desenhos com o dedo no vidro embaçado...

31 . Escorregar pelo corrimão das escadas...

32 . Jogar milho para os pombos e querer voar como os pássaros...

33 . Ter uma casinha de madeira nas árvores...

34 . Tirar meleca do nariz e fazer bolinhas...

35 . Esquecer de escovar os dentes após as refeições...

36 . Receber, toda manhosa, o cafuné dos pais e os mimos dos avós...

37 . Brincar de adulto com as roupas dos pais, e depois cair na gargalhada...

38 . Ter seu próprio relojinho e guarda-chuva...

39 . Ser compreendida e orientada por seus mestres e professores com afeto e devoção...

40 . Sentar-se no portão de casa, e esperar o carteiro com boas notícias para seu coração...

41 . Imaginar-se como Romeu e Julieta e sentir uma afeição especial por alguém, mandando mil bilhetinhos e florzinhas abençoadas por seu puro amor...

42 . Colocar o sapatinho na janela, e ficar esperando Papai Noel com sua imensa barriga e seu trenó cheio de presentes...

43 . Trocar figurinhas coloridas de seu álbum com os colegas da escola...

44 . Querer abrir as jaulas e soltar todos os animais do jardim zoológico...

45 . Ser ouvida com respeito antes das decisões que a família tomar...

46 . Contemplar a vista do alto das montanhas que tiver escalado, e sentir uma vontade enorme de abraçar o mundo inteiro...

47 . Receber em sua cabeça os primeiros flocos de neve do inverno e imaginar as milhões de brincadeiras que poderá fazer...

48 . Morrer de rir das trapalhadas dos palhaços do circo...

49 . Sentir saudades, cheias de lágrimas, de amizades e pessoas queridas que morreram ou partiram para bem longe...

50 . Fazer acrobacias malucas com seus skates e patins...

51 . Montar seus brinquedos imaginários com o material que tiver em mãos...

52 . Bater palmas de entusiasmo quando o mágico fizer aparecer, do nada, aquelas flores coloridas e vistosas...

53 . Falar aos pais sobre aquilo que viu, aprendeu ou não, na escola e na rua com os amiguinhos...

54 . Andar de bicicleta nos parquinhos e ciclovias sem ser importunada...

55 . Galopar nos cavalinhos de madeira querendo ser herói de filmes de cinema...

56 . Ouvir cantigas de ninar típicas de sua gente e, adormecer no colo de sua mãe, sem medo ou apreensões...

57 . Respirar ar puro e saudável, podendo reclamar da fumaça exagerada dos carros e das fábricas desreguladas...

58 . Ser abraçada e beijada nos dias de tempestade com relâmpagos e trovoadas...

59 . Brincar de médico e aprender sobre as “diferenças”...

60 . Arregaçar as calças e bater os pés na água, sentada á beira do riacho...

61 . Aventurar-se pelas matas e florestas admirando a harmonia da natureza...

62 . Beber uma xícara de café com leite, ou chocolate quente, quando o vento estiver assobiando forte lá fora...

63 . Saber direitinho o porque de estar sendo repreendida...

64 . Dizer “não” para as coisas que não são boas para sua saúde...

65 . Aprender no tempo certo as responsabilidades e as coisas próprias de sua idade...

66 . Assumir suas pequenas tarefas para a harmonia do lar, da escola e da vida...

67 . Solicitar um tempo especial dos pais a fim de partilhar suas conquistas, frustrações, experiências e sentimentos...

68 . Ser brincalhona, manhosa, honesta, preguiçosa, corajosa, esperta, acanhada, linda, tímida, ágil, feinha, medrosa, encrenqueira, gordinha, romântica, magricela, divertida, triste, curiosa, melancólica, desatenta, alta, baixa, negra, amarela, branca, vermelha, verde ou supercolorida, faladeira, eficiente, deficiente, problemática, pura, meiga, viva, perceber o seu nome ser pronunciado com amor e afeição entre todos os nomes do mundo...

69 . Crer que ela pode ajudar este mundo a ser melhor...

70 . Tornar ou querer tornar os seus sonhos realidade...

71 . Jogar beijos para a Lua e piscadinhas para o Sol...

72 . Questionar os adultos se lhes parecer que estes estão desrespeitando seus direitos, amores, aspirações, alegrias, sonhos etc.

73 . Contar as estrelas da noite e fazer um pedido de Amor, Alegria e Paz se um cometinha colorido lhe aparecer no céu e, sorrir...

Leo Nogueira Paqonawta

Goiás das Minas Geraes, Primavera de 1986...

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Pede-se citar a fonte e entrar em contato com o autor: Declaração de Amor aos Direitos da Criança . Leo Nogueira Paqonawta . ciadapaz@gmail.com . http://ciadapaz.blogspot.com/

A Natureza das Coisas


Adaptação do Cântico das Criaturas
de Francisco de Assis
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ETC: as bem-aventuranças do cometinha colorido


...Não era noite nem dia... era o espaço com seus mistérios, seus universos, suas estórias e surpresas.

Estamos há muitos e muitos séculos atrás. E, foi aí que tudo começou...

Cada planeta em sua órbita. Um grande e amarelo astro no centro do sistema amparando todos eles, fornecendo luz, alimento e outras energias e... de repente!

...Lá no longe aparece uma luzinha diferente, que não seguia um rumo certo. Parava aqui, parava ali, virava ali, voltava acolá e dava mil voltas. E isso deixou o astro-rei intrigado. Ela foi chegando mais perto, foi chegando e, finalmente foi reconhecida.

Era um cometinha colorido. Não era o único de sua espécie, entretanto era muito raro de se avistar um. Somente surgia (pelo menos por ali) de milênios em milênios...

Ele era muito interessante. Possuía uma linda cauda com as cores do arco-íris e, ao contrário do que se dizia dos cometas por aquelas paragens, este não trazia más notícias, em era azarento. Muito pelo contrário, só trazia sorte e boas notícias.

O astro-rei sentiu-se satisfeito e, abrindo mais seu leque de raios luminosos, como que dando as boas vindas ao caminheiro do espaço, perguntou:

_ Olá, companheiro! De onde vem você, tão colorido e alegre?

O viajante celeste virou-se um pouquinho... coçou uma pontinha e sua cabeça... olhou para o grande astro sentiu uma outra “coceirinha” lá no seu coração.

Por um instante pensou que já conhecia aquele ser tão brilhante. E, ao perceber isso, suas cores se tornaram mais intensas. Mas, foi passageiro. Abanou-se todo, fez um _Ufa! _ e disse:

_ Puxa! Acabo de passar por um campo de asteróides. E, o pior, era que caía uma tempestade cósmica! Mas estou inteirinho, ainda bem.

Venho lá das bandas da Estrela Pintor que me deu uns retoques na cauda. Nós, que viajamos muito, precisamos nos cuidar para agüentar tantas radiações e tempestades.

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Manifesto das Crianças


Crianças do mundo inteiro, uni-vos!

Vivemos um outro Tempo/Espaço de pás, de baldes, de regadores, enxadas, foices e martelos, de lápis multicoloridos que derrubam todas as cercas, muros e portões, de salas que  separavam os meninos e meninas de seus sonhos.

Crianças, um mundo despedaçado em ruínas espera sua chegada para que outras formas de viver em alegria re-criem a beleza para as futuras estações do Bem Viver.

Sorriam ao compartilharem suas flores, sentem-se à grama e re-criem seus brinquedos. Inspirem outras crianças adormecidas a brincarem também. Quando elas ouvirem suas gargalhadas saberão que podem se juntar à brincadeira e realizar as vontades de sua criativa imaginação.

Ah, crianças, que as manhãs de seus sonhos façam cair os véus das antigas e tristes noites de quando seus sonhos lhes foram retirados. Sejam corajosas, vivam seus ideais, despertem da sonolência que lhes foi imposta pelos contadores de uma história que lhes tirou a dignidade e os finais felizes. Em cinco pétalas e palavras: acordem, brinquem, vivam, realizem, sonhem.

Continentes inteiros esperam sua chegada, crianças, para que da terra brotem as esperanças adormecidas. As cidades mortas, as casas vazias de ternuras, as estradas poeirentas, os campos aguardam sua vinda. Espalhem-se, recriem a natureza à imagem e semelhança de suas aspirações. Que a solidez das flores se desmanche no ar em perfumes ao toque gentil de beija-flores, ao re-en-canto de passarinhos amarelos em bem-te-vis e bem-te-queros anunciando o Grande Dia.

Deixem os bancos enfadonhos das escolas que transformaram as crianças em peças de máquinas, e dispersem-se pelos canteiros em buscas e entregas na des-coberta desse Outro Mundo com seus novos amigos. Ah, crianças, abram suas asas da imaginação para se tocarem e repartirem o que têm des-coberto. Subam às árvores, iniciem hoje essas voltas na espiral do in-finito na revelação desses sonhos.

As flores e os frutos deste jardim são abundantes. Juntem-se para colher mil e um buquês em poesias perfumadas com os aromas da vida, façam suas cestas para depois irem re-partir essas alegrias plantadas e des-cobertas. Anunciem este jardim aos outros, chamem mais crianças para brincar, que estes campos são para todos. Unam-se.

Crianças, que seus corações estejam abertos para compartilhar a riqueza de ideias e ideais de cada um. Que o futuro seja re-construído a partir de seus sonhos de ventura. Com-partilhem, de mãos cheias de alegria, os abraços e cuidados para com tudo e todos. Construam, assim, seu mundo novo, vivo!

Re-inventem suas novas formas de brincar, esqueçam-se das pilhas e dos manuais de instruções de cada jogo que lhes foi ensinado. No amor e companheirismo dedicados uns aos outros poderão ser des-veladas outras maneiras de contar e fazer o mundo. Sejam livres para fazer a sua linda história de amor e solidariedade.

Brinquem, que as árvores e o jardim são de todos, e no universo in-finito a Terra é a escola para essas mil e uma aventuras e bem-aventuranças. Co-movam-se!

Meninas e meninos, tragam seus gracejos e sua vida! Venham com todos os seus brinquedos fazer casinhas nas árvores, re-encontrar uma família de irmãs e irmãos que com-partilhem a vontade de re-criar os laços de ternura e afeto nessa humanidade de seres livres para o amar brincante.

Uma outra era começa a partir de sua semeadura. Que nos canteiros de flores sejam des-marcadas todas as fronteiras de sua meninice, para que seja conquistada nessa partilha a amizade entre todos, numa só pátria de solidariedade como flor desabrochada por seus anseios.

Do mundo antigo há arvores que lhes foram mostradas lindas, como a da liberdade, a da justiça, a dos direitos e tantas outras que jamais lhes foram dadas para brincar. Mas, em seu jardim, todas as novas árvores estarão verdes na primavera de e-ternuridades para vocês balançarem em seus galhos, e se deitarem às suas sombras nos dias de calor. Venham, tragam suas sementes para plantar de novo aquela Esperança que ilumina a Vida.

Sim, isso poderá se realizar em 10 passos como no jogo de amarelinha, pé-ante-pé, indo das tristezas das paisagens que lhes foram dadas até além, onde o céu se põe em espetáculo de cores. Vamos, se abracem. Pulem! Atravessem os caminhos e a Ponte Colorida de mãos dadas. Juntem-se em “mão-nifestações” pelos quatro cantos mundo!

As crianças arrancarão de seus corações, pouco a pouco, todas as ervas daninhas que lhes foram plantadas pela tradição das escolas, como tem acontecido através dos séculos. Isso não acontecerá novamente neste maravilhoso jardim-da-infância. Com-partilhem seus lápis de cores do Arco-Íris e coloram todas as letras com suas vozes e meninices para dar outro sentido às palavras que lhes quiseram calar. Re-vira-voltem a escola pela sabedoria nesses seus voos e passos re-evolutivos!

O seu poder, crianças, está para converter a secura das paisagens em florestas e bosques perfumados de doçura e sorrisos. Desapareçam, como que por encanto, todos os seus medos quando vocês se derem as mãos para isso. Que outros saberes e fazeres re-inventem o mundo pela sabedoria que vem desse amor e espiritualidade que nos irmana a tudo e ao todo.

Borboletas, abelhas, minhocas, passarinhos, todos se aliam a favor de seus sonhos. Em lugar dos antigos blocos de cimento duro ou asfalto seco, juntem-se em suas brincadeiras para que todos possam correr livres pelos jardins e campos à espera de sua vida.

Em resumo, sejam a favor de tudo aquilo que lhes coloquem a caminho dos jardins que esperam a re-evolução nas estações com suas alegrias, com o sol, a lua, as estrelas, a chuva, o vento, o tempo/espaço das bem-aventuranças.

Crianças, coloquem em primeiro lugar, como ponto fundamental, a questão de se apropriarem de todas as terras para plantar flores e grãos com suas pás, baldes e regadores. Finalmente, unam-se para que todos as entendam em todos os países na sua língua de alegria infantil.

As crianças têm toda a infância a perder se não soltarem a imaginação e abrirem as caixas de brinquedos para libertar a Esperança como uma pandorga livre no ar. Têm um mundo a sonhar e realizar como seus.

Crianças do mundo inteiro, uni-vos!*

Paqonawta


Escrito em 1986, inspirado no Manifesto Comunista de Karl Marx e Friedrich Engels, de 1948, de trás pra frente...

* Re-vira-voltado em 2013, inspirado nas crianças dos quatro cantos do mundo atravessando os caminhos e a Ponte do Lápis Arco-íris, de frente pra trás, de dentro pra fora, de baixo pra cima, de fora pra dentro, de cima pra baixo, re-dimensionando nas des-cobertas nesses passos e voos re-evolutivos pelo Universo in-finito.

Legos de: Descartes, Nietzsche, Marx, Engels, Lenin, Che Guevara, Gorky, Carles Chaplin, Francisco de Assis, Van Gogh, Einsten, Gandhi e Pelé. Veja mais em: http://boletimdaturma.blogspot.com


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